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Casa Escola da Pesca

O projeto foi idealizado com a intenção de fazer um resgate da identidade cultural dos povos tradicionais, perdida ao longo do tempo e valorizar o conhecimento que os estudantes trazem ao longo de sua vivência. Os alunos da Casa Escola da Pesca são em parte moradores das ilhas de Belém, e tem uma cultura predominantemente ribeirinha. Com esse projeto levamos em consideração a realidade socioeconômica, política e cultural na qual os educandos estão inseridos, pois acreditamos que a escola deve ser um lugar de diversidade cultural, que tem a responsabilidade com os sujeitos inseridos no seu espaço, com sua família e a comunidade como um todo.

O uso das plantas medicinais é uma prática tradicional que teve início com os povos indígenas, ainda na época da invasão dos europeus em território brasileiro. O povo africano também tem forte influência nesse processo, que hoje é posto através das comunidades quilombolas. Mas é preciso estender o conceito de populações e comunidades tradicionais a todos os povos que sobrevivem através dos recursos da natureza e que mantem uma relação especifica com o território e ambiente no qual estão inseridos, respeitando os preceitos da sustentabilidade e nesse contexto levamos em consideração também, os agricultores, camponeses, ciganos, entre outros.

Num país tão diverso como o Brasil, em sua composição étnica, racial e cultural, é um grande desafio assegurar direitos para promoção do bem-estar social da população, sobretudo dos povos e comunidades tradicionais. Sabemos que boa parte dessas comunidades se encontra ainda na invisibilidade, silenciada por pressões econômicas, fundiárias, processos de discriminação e exclusão social. Nesse sentido o uso de plantas medicinais vem como uma alternativa ou na maioria das vezes a única forma de suprir a falta de assistência, que cabe ao estado, no quesito saúde pública.

As plantas nativas retiradas da Floresta eram e são utilizadas principalmente para a cura de doenças e pequenas enfermidades. Mas muitos outros usos são feitos também. Nesse sentido podemos afirmar que historicamente, as plantas medicinais estão presentes desde os primeiros registros sobre a medicina tradicional.

A utilização de plantas medicinais por populações rurais, atualmente é feita por uma série de conhecimentos acumulados mediante a relação direta dos seus membros com o meio ambiente e da difusão de uma série de informações, tendo como influência o uso tradicional transmitido oralmente entre diferentes gerações (Rocha et al. 2002). Em muitas comunidades, o uso das ervas é o principal recurso para o tratamento de diversas doenças, além de trazer uma grande economia para as famílias.

Apesar do considerável uso das ervas medicinais pelas populações tradicionais, no início do século XIX houve um declínio no uso das plantas devido a obtenção de substâncias sintéticas com propriedades farmacológicas e com a síntese química de novos compostos. Atualmente esse cenário tem mudado, com a maior procura por tratamentos médicos naturais. Ou seja, o interesse por produtos fitoterápicos e as terapias naturais vêm aumentando gradativamente, sejam estes produtos in natura ou processados (CUNHA, 2003).

Sendo assim há a necessidade de criar políticas de incentivo para as comunidades que hoje vivem da agricultura familiar, para que possam fornecer os produtos advindos da sua produção a outros atores. Hoje o Brasil criou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterapia que tem como principal objetivo “garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional” (BRASIL, 2006, p. 20). Essas políticas públicas são importantes para que as pessoas possam ter o incentivo necessário para viver de sua produção, fornecê-la para outras pessoas, e ter valorizado um trabalho e conhecimento que vem sendo transmitido de geração em geração.

Com base no exposto, nosso principal objetivo é resgatar o uso tradicional das plantas medicinais além da identidade dos povos tradicionais, perdida ao longo do tempo. Além disso, nossa intenção é que os estudantes aliem o seu conhecimento e a vivência para que possam visualizar a importância do uso das ervas medicinais como uma cadeia produtiva, que começa desde o pequeno produtor até a fabricação de medicamentos, evidenciando assim a importância da agricultura familiar.